Entrevista com Simon Raab, PhD, um dos fundadores, CEO e presidente da FARO

January 2, 2018

Simon Rabb

Comprometidos ÉTICA e intelectualmente com a TECNOLOGIA

Agora, as empresas de construção podem fazer digitalizações com frequência e indicar imediatamente se um pilar está sendo posicionado de maneira incorreta, se o piso não está bem nivelado ou se uma viga não está oferecendo o suporte necessário. A digitalização em 3D está revolucionando a maneira como as construções são feitas. A FARO® está preparada para tornar a construção e engenharia digital mais eficientes por meio de suas tecnologias inovadoras de hardware e software

-Simon Raab,
PhD, um dos fundadores, CEO e presidente,
FARO® Technologies

 

Quais são os benefícios de usar digitalização em 3D na engenharia digital? Como isso ajuda o setor de infraestrutura e construção civil?

Todo o processo é uma evolução de outro processo em andamento nas fábricas há um bom tempo. Antes da construção de um objeto, ele começa como um desenho ou modelo complexo de CAD. Durante o processo de fabricação, esse objeto passará por controle de qualidade, o que envolve a verificação e a comparação da montagem com o desenho ou modelo original de CAD, usando tecnologia de digitalização.

Agora, o mesmo cenário predomina em parte do setor de construção. Todos os modelos são preparados no CAD. Eles podem ser baseados em modelos existentes que passaram por engenharia reversa ou em desenhos novos. Da mesma forma, com a tecnologia de digitalização, esses modelos baseados em CAD agora podem ser usados para monitoramento e comparação com o CAD. A documentação as-built também pode ser monitorada e registrada durante o processo de construção.

Demorou muito tempo para a digitalização em 3D ser aplicada no setor, provavelmente por causa da natureza da tecnologia.

A precisão e a resolução dos dados são de extrema importância, e a facilidade de uso é essencial. Na metrologia industrial, quando trabalhamos com um carro, avião ou motor, a precisão deve ser em micras. Nas áreas de construção e topografia, trabalhamos com precisão em milímetros, mas normalmente em situações mais complexas.

Hoje em dia, nossos produtos de scanner são extremamente capacitados, pois o tamanho físico foi otimizado para os setores de construção e topografia, com uma precisão na escala de milímetros ou até menos, adequada para as aplicações do setor. Além disso, o software está sendo desenvolvido para reproduzir os fluxos de trabalho típicos dos canteiros de obra.

Dependendo dos requisitos da aplicação, a FARO tem uma grande variedade de produtos de laser scanners: para uso externo ou interno, para longo ou curto alcance ou para alta ou baixa precisão.

Além disso, transformamos nosso software de metrologia (que foi desenvolvido com base em CAD e na medição de objetos para comparação com o CAD) em algo como um software de metrologia para o ambiente da construção.

Isso pode ser considerado validação de construção ou validação de topografia. A construção é realizada de acordo com o CAD e, como você pode fazer digitalizações durante todo o projeto, é possível obter qualidade total. No ambiente da construção, o processo se torna ainda mais completo, já que em todas as etapas em que há digitalização em 3D, é possível comparar com o CAD e garantir que não haja erros. Há mais um diferencial no setor da construção, inexistente no setor de metrologia industrial, que é a documentação as-built.

Com ela, é possível selecionar uma parte da construção, voltar no tempo e verificar toda a construção através das paredes, como a posição da tubulação ou dos cabos. Isso garante um alto grau de precisão. E representa um nível totalmente novo de valor, pois a documentação as-built será valiosa para todos os envolvidos no ciclo de vida de um projeto de construção e também na manutenção e nas modificações ao longo da vida útil da edificação.

O setor da construção sempre foi lento em termos de adoção de novas tecnologias ou recursos digitais. Como você projeta a adoção dessas novas tecnologias, principalmente da digitalização a laser, nos próximos anos?

Em vez de criticar o setor da construção por ser lento, eu diria que a tecnologia que tornava isso possível não estava disponível. Foi apenas na última década, com a introdução de dispositivos de digitalização em 3D mais acessíveis, resistentes e precisos, que o mercado teve essa oportunidade. Somente há pouco tempo apresentamos um software relevante que permitisse fazer medições em 3D orientadas pela construção e compará-las com as informações de CAD. Assim, está acontecendo agora uma grande corrida para aproveitar essa eficiência no setor de construção.

Quando a primeira tecnologia de protocolo de medição da FARO foi apresentada em 1993 no ambiente de metrologia industrial, levou um tempo (quase uma geração inteira) para as pessoas se acostumarem com ela e despertarem para as possibilidades do 3D. Os profissionais foram treinados com os processos tradicionais e precisam aprender e adotar o novo método. Isso normalmente exige uma mudança generalizada.

Nosso setor oferece produtos e ferramentas que estimulam a eficiência, e a receptividade do mercado tem sido impressionante.

Como você acha que essas tecnologias podem ser aproveitadas para gerar avanços no setor de arquitetura, engenharia e construção? Você pode fazer algumas projeções?

No momento, temos poucas ferramentas disponíveis para evitar aquilo que chamamos de refugo e retrabalho nos setores de produção. Refugo é quando uma peça é feita incorretamente, não pode ser corrigida e precisa ser descartada. Retrabalho é quando você encontra um erro na montagem e consegue reparar. Esses dois elementos são muito importantes na construção. A tolerância a problemas com refugo e retrabalho nesse setor é muito alta hoje em dia, pois é considerada parte do negócio. Isso não será mais tolerado no mesmo nível em um futuro próximo.

Ao evitar o retrabalho, podemos ter 50% de redução de custos. Com a digitalização em 3D, as empresas de construção podem fazer digitalizações com frequência e indicar imediatamente se um pilar está sendo posicionado de maneira incorreta, se o piso não está bem nivelado ou se uma viga não está oferecendo o suporte necessário. Essa detecção prévia permite que as empresas contratadas e os arquitetos tenham um desempenho melhor. Os erros não se acumulam e, assim, o custo do retrabalho é reduzido.

Uma área em que a digitalização será de extrema importância é a de mapas de alta definição, da mesma maneira que foi decisiva para os carros automatizados, Internet das Coisas e outros. Como você vê o mercado evoluindo?

Esse mercado se divide em dois. Há o mercado de veículos autônomos, que percebeu uma grande queda nos custos com o uso do LiDAR baseado em semicondutor e que funciona na escala de centímetros na identificação de objetos.

Há também o mercado da alta definição. Os dados em alta resolução são necessários para fazer cálculos durante a produção ou a construção, além de observações no setor forense, pois é necessário um alto nível de detalhes, em imagem e em 3D.

Assim, o mercado está realmente dividido em dois: o de alta velocidade, baixa resolução e baixa precisão para veículos autônomos, e um de alta resolução e alta precisão para geração de imagens de nível topográfico e medições em 3D. Não pretendemos entrar no mercado de autônomos, de baixa resolução e baixa precisão. Nosso foco será o mercado de alta resolução e alta precisão.

“Somente há pouco tempo apresentamos um software relevante que permitisse fazer medições em 3D orientadas pela construção e compará-las com as informações de CAD. Assim, está acontecendo agora uma grande corrida para aproveitar essa eficiência no setor de construção. “

-Simon Raab,
PhD, um dos fundadores, CEO e presidente,
FARO® Technologies

 

Como um dos fundadores da FARO, você trabalhou como presidente do conselho diretor desde sua criação em 1982. Você também atuou como CEO desde a abertura da empresa até janeiro de 2006. O que levou você a assumir mais uma vez as operações do dia a dia?

Como fundador e criador de algumas das tecnologias, estou profundamente ligado, ética e intelectualmente, à tecnologia e a importância do mercado. Desde a criação da empresa, estive envolvido em praticamente todos os assuntos importantes. Quando a taxa de crescimento da FARO começou a recuar no final de 2015 e novos concorrentes começaram a entrar no mercado com novidades tecnológicas, o conselho diretor e a equipe de gestão decidiram reconfigurar e reestruturar a empresa para competir de um jeito mais eficiente em novos mercados, como o de BIM-CIM da construção. Com isso, concordei em assumir o cargo de CEO e ajudar a empresa a organizar e ajustar seus esforços para entrar em novos mercados verticais, revigorar a empresa de uma maneira geral e modernizar o mapa de produtos de tecnologia.

Você assumiu novamente a função há quase dois anos. Quais foram as principais etapas seguidas para remodelar a empresa e se preparar para um futuro de sucesso?

A principal foi fazer uma análise para avaliar os pontos fracos da empresa e em relação à concorrência. Após essa análise, a iniciativa denominada “Going Vertical in Harmony” (entrada adequada em mercados verticais), ou GVH, foi apresentada. Essa iniciativa incluiu dois componentes principais.

Um deles era definir os principais negócios verticais em que a empresa opera.

A FARO, em sua essência, é uma empresa de medição em 3D. Partindo desse princípio, descobrimos que os produtos com foco principalmente em metrologia industrial, embora muito eficazes, eram muito genéricos para atender a requisitos importantes de outros segmentos do mercado. Para configurar os produtos e nosso desenvolvimento de um jeito mais bem alinhado com outros segmentos de mercado específicos, como segurança pública ou BIM-CIM de construção, a empresa precisava desenvolver produtos e vendê-los de uma maneira adequada a esses mercados verticais.

Assim, uma série de grupos de negócios verticais foi criada com base em áreas de foco específicas dos clientes, que incluíam metrologia industrial, BIM-CIM da construção, ciência forense para segurança pública e design de produtos. Além disso, um mercado vertical foi criado para oferecer soluções mais personalizadas, denominado visualização mecânica em 3D.

Durante esse período, também descobrimos que a empresa tinha se desconectado geograficamente em três empresas diferentes ao redor do mundo. Isso causou algumas ineficiências, e o mercado ficou apreensivo com a lucratividade da empresa. Foi necessário globalizar e articular os esforços para aumentar o crescimento e otimizar as despesas administrativas e de pesquisa. Fizemos isso por meio de uma adequação global, que foi o segundo componente dessa iniciativa.

A iniciativa GVH da FARO foi um esforço de 18 meses, e conseguimos concluir a maioria dos objetivos que deveriam ser atingidos na metade de 2017.

Para que você possa considerar o seu retorno como CEO um sucesso, quais são os critérios/as métricas principais?

Gostaria de ver a taxa de crescimento da receita na casa de 13% a 19%. Também gostaria de ver as margens operacionais da FARO nesse mesmo patamar em 2019. Além disso, a empresa quer garantir que os retornos de margem bruta voltem às médias históricas, em torno de 60%. Esses seriam os três componentes: a taxa de crescimento da receita entre 13% a 19%, as margens operacionais nesse mesmo patamar e as margens brutas em 60% ou mais. Por último e principalmente, espero que a FARO continue liderando nos mercados verticais escolhidos com as melhores soluções disponíveis, e que ofereçam excelentes propostas de valor.

Onde você espera que a FARO esteja daqui a cinco anos?

A FARO pretende ser a empresa fornecedora líder e mais confiável de soluções de medição em 3D do mercado. Estamos nos empenhando para sermos líderes em tecnologia e queremos desempenhar um papel importante nos mercados verticais que identificamos. Acredito que o mercado de BIM-CIM da construção será um negócio multibilionário. O mercado em que podemos atuar é, de fato, muito maior do que o mercado de metrologia industrial. O mercado de segurança pública também está se tornando muito mais importante. Somos capazes de atuar em todas essas áreas. Pretendemos manter nossa liderança e nos tornarmos uma empresa multibilionária nos próximos dez anos. Esperamos que isso aconteça obtendo sucesso nesses mercados verticais específicos.

O sucesso da FARO certamente está relacionado aos líderes que conduzem a empresa. Qual tem sido seu estilo de liderança para manter tudo funcionando com êxito por tanto tempo?

Acredito que todos devem ter o desejo de liderar em termos de tecnologia e transformar o mundo em que estamos trabalhando. Você deve se inspirar na capacidade que a tecnologia tem de transformar nossas vidas e os setores relevantes. É essa inspiração que faz você procurar abordagens novas e inovadoras e descobrir como fazer parte dessa revolução. Esse é o tipo de inspiração que tenho tentado passar para a empresa. Pretendemos sempre estar na liderança, apresentando propostas com valor agregado e oferecendo ferramentas altamente produtivas por preços bastante razoáveis. Queremos ser líderes na oferta de produtos simplificados para todos usarem. Isso é o que nos motiva a melhorar cada vez mais.

 

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